Medicina pós-graduação

Você já ouviu falar na especialização em dor?

Ana Flávia da Fonseca
07-08-2018 9:09

No passado, a dor era interpretada como uma consequência de alguma doença. No entanto, com o passar do tempo, a sua classificação passou a ser utilizada para caracterizar um problema complexo que exige tratamento e conhecimento avançados, tornando a especialização em dor um dos cursos mais proeminentes da área da saúde na atualidade.

A incidência de dores crônicas no cotidiano da sociedade brasileira tornou ainda mais essencial o enfrentamento desse problema. Por acometer uma parcela de adultos em idade de trabalho, a dor acaba sendo a responsável pela incidência cada vez maior de licenças e afastamentos.

É com esse panorama que embasamos o artigo a seguir, no qual falaremos mais sobre a especialização em dor. Acompanhe!

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O que é a especialização em dor?

Levando em consideração todos os aspectos impactados pela dor na qualidade de vida das pessoas — e não necessariamente sendo uma condição de doença, como citamos —, a especialização em dor tem como objetivo ensinar os profissionais a atenderem e tratarem pacientes portadores de dores crônicas — até então, consideradas intratáveis — por meio de técnicas modernas.

O foco é reconhecer as incapacidades físicas e funcionais, e descobrir como amenizá-las ou extingui-las. A ideia é que os profissionais especializados na área saibam reconhecer e tratar as principais síndromes dolorosas, compreendendo diferentes fases da vida por meio de conhecimento científico.

O profissional que se especializará nessa área desenvolverá estudos sobre os dois tipos de dores existentes: a aguda e a crônica. A primeira geralmente está ligada a alguma lesão no organismo e quase sempre consegue ser resolvida com o diagnóstico correto. Já a segunda, independe de a causa ter sido solucionada, sendo algo persistente na vida do paciente.

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Por que se qualificar na área?

Como dissemos, a dor é uma das principais causas de afastamento do trabalho. Segundo a Sociedade Brasileira para Estudo da Dor (SBED), ela é um problema que afeta ao menos 30% dos indivíduos em algum momento da vida, sendo que de 10% a 40% deles têm um quadro que persiste por mais de um dia.

Isso é associado à principal causa do sofrimento e incapacitação para a realização do trabalho. Por isso, a ideia de formação nessa área visa qualificar os profissionais para que eles sejam capazes de minimizar as consequências psicossociais e econômicas causadas pelo quadro.

Além de ser um profissional imprescindível na sociedade atual, tanto para os pacientes quanto para o ambiente em que ele convive, a especialização em dor também tem outro motivo que leva cada vez mais pessoas à sala de aula: a pesquisa. Por meio dela, são criados não só novos tratamentos, mas também medicamentos mais potentes e menos invasivos, além de outras terapias paliativas.

Quem pode ser especialista em dor?

Todos os profissionais da área da saúde podem ser especialistas em dor. Dentistas, enfermeiros, médicos, psicólogos, nutricionistas, biomédicos, farmacêuticos e, até mesmo, educadores físicos estão na lista.

Por exemplo, um paciente que chega com dores no aparelho locomotor, como a coluna, pode ser tratado por meio de diversas terapias, o que envolve desde tratamentos intervencionistas até aqueles minimamente invasivos. Nesse caso, um médico ortopedista pode ser envolvido na cirurgia para sanar o problema, enquanto o fisioterapeuta será o responsável por realizar o processo de recuperação.

O psicólogo, por sua vez, tratará dos aspectos ligados à mente nesse caso. Muitas vezes, as dores atrapalham o convívio social e levam a transtornos psíquicos, como a ansiedade e a depressão, devido à impossibilidade de realizar as tarefas cotidianas normalmente.

O profissional também pode intervir para que o tratamento oferecido funcione melhor, além de ser fundamental no processo de adaptação e recuperação após intervenções cirúrgicas, por exemplo.

O que é estudado nessa especialização?

Como mostramos, profissionais com diferentes atuações podem fazer a especialização em dor. O curso possui uma abordagem teórico-prática que visa a aquisição e atualização de conhecimentos sobre dor, utilizando, para isso, uma abordagem sistematizada, crítica e ética. Sendo assim, a especialização compreende matérias como:

  • Epidemiologia, taxonomia e neurofisiologia da dor;
  • Semiologia do paciente com dor;
  • Semiologia neurológica;
  • Farmacologia clínica da dor;
  • Psicologia da dor;
  • Dor em cuidados paliativos;
  • Dor em pediatria;
  • Dor oncológica;
  • Dor orofacial e cefaleias;
  • Medicina física e reabilitação;
  • Síndromes dolorosas crônicas;
  • Acupuntura no tratamento da dor;
  • Tratamento cirúrgico da dor;
  • Neuromodulação;
  • Estratégias fisioterapêuticas no tratamento da dor crônica;
  • Dor e exercício físico;
  • Aspectos alimentares e nutricionais em pacientes com dor crônica.

O curso compreende aproximadamente 630 horas de especialização — cerca de dois anos —, devido à sua abrangência teórico-prática, formando profissionais completos.

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Como é o mercado para esse profissional?

De acordo com a SBED, o Brasil tem avançado muito nos últimos anos no que diz respeito ao tratamento da dor, o que aumentou o número de profissionais da saúde interessados na área. Consequentemente, com o surgimento de cursos cada vez melhores, os pacientes têm procurado por profissionais qualificados nesse sentido.

Diversos trabalhos e congressos têm sido realizados, visando o incentivo à pesquisa e capacitação desses profissionais. Ou seja, é um mercado em constante mutação — o que faz com que possamos inferir o seu crescimento nos próximos anos, principalmente, por envolver profissionais de diferentes especialidades.

De acordo com o Guia da Carreira, um anestesista ganha em média R$ 9.849,00. Destacamos essa especialidade, pois ela estuda diretamente a dor e visa trazer o alívio para o paciente em tratamentos. No entanto, isso é apenas uma média. O crescimento do mercado em relação a essa função faz com que os ganhos dos profissionais da área sejam cada vez maiores.

Resumidamente, um tratamento na área da dor deve ser embasado em um tripé: educação do paciente sobre a sua real situação, tratamento farmacológico e tratamento não farmacológico, que atua no autoconhecimento do indivíduo visando a sua reabilitação. Por isso, é tão importante a especialização em dor, pois o curso consegue cobrir todas essas necessidades do paciente.

Como pudemos ver, a área é promissora e tende a crescer nos próximos anos. Assim, quem se qualifica por meio da especialização em dor sai na frente ao se tornar um profissional diferenciado e também no quesito tratamento de pacientes, ajudando-os a terem uma vida mais confortável.

E então, gostou de saber mais sobre essa especialização? Tem alguma dúvida sobre o assunto, ou deseja ampliar o seu conhecimento sobre o impacto desse curso na sua vida profissional? Deixe o seu comentário e participe da nossa discussão!

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