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Planejamento de carreira: o que é e como você pode fazer o seu?

Postado por Fábio Albuquerque

Quando paramos para avaliar a trajetória de cada profissional de destaque no mercado, é possível identificar um ponto convergente: todos planejaram muito bem suas carreiras para chegarem onde estão. Geralmente, eles vislumbraram o cargo em que queriam estar, a empresa, a área de atuação, e adequam suas ações para adquirirem as competências necessárias, a formação técnica e também comportamental. Mas será que planejar a carreira é mesmo necessário?

É fundamental! Os profissionais comprometidos não deixam suas carreiras se desenvolverem ao sabor do vento. Eles sabem exatamente o que querem, têm metas a cumprir e sabem que existe um longo caminho a percorrer até que o objetivo seja alcançado.

E se você pensa que o planejamento de carreira é para um grupo específico de profissionais, está enganado. Qualquer pessoa pode — e deve — ter o seu plano de carreira: profissional da iniciativa privada, funcionário público, profissional liberal ou empreendedor. O que muda é a maneira de construir esse planejamento. Confira as dicas que preparamos para você e aprenda como fazer o seu plano de carreira!

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Afinal, o que é um planejamento de carreira?

Existem, basicamente, dois tipos deles: o que as empresas fazem para os seus funcionários e o que o próprio profissional faz para si mesmo. No primeiro caso, as próprias organizações desenvolvem um plano de carreira para garantir a ascensão dos colaboradores na empresa, de forma que eles conhecem todo o caminho que precisam seguir para galgar cargos mais altos e maiores salários na organização. Neste caso, o colaborador não costuma interferir no processo, pois a empresa faz esse planejamento.

No segundo caso, o próprio profissional assume a construção de seu, independentemente da empresa em que esteja atuando no momento. É sobre esse tipo de planejamento que daremos dicas e sugestões.

Fazer o próprio requer iniciativa e muito comprometimento, pois o profissional detalhará as ações que vão definir todo o seu futuro profissional. Assim que ele decide se planejar para o futuro, precisará ser sincero consigo mesmo a respeito do que espera para a sua carreira e deverá ter metas claras e muita disciplina para cumpri-las.

Para fazer um bom planejamento, é importante estar atento a alguns pontos essenciais:

Documente seu planejamento

Um plano de carreira não é uma folha aleatória em que você escreve seus projetos de ano novo e, quando chega em fevereiro, já perdeu tudo de vista. Esse é um compromisso com você mesmo e merece ser documentado da forma mais organizada e profissional possível. Faça um arquivo digital, detalhe as etapas em planilhas e use imagens para deixá-lo mais compreensível e executável.

Cada planejamento é único

Não adianta querer aproveitar o planejamento feito pelo colega: cada pessoa precisa fazer o seu próprio plano. Por mais que vocês tenham a mesma profissão e até atuem na mesma empresa, cada um tem suas próprias aspirações profissionais e um perfil diferente, portanto, as metas e os caminhos também serão distintos, assim como os objetivos.

Compromisso é tudo

Não é porque você decidiu ter um plano de carreira que não terá que cobrar de si mesmo a execução dele. Quando uma meta é traçada, é preciso ter fatores que estimulem e auxiliem no seu alcance. Esses incentivos deixam o caminho menos árduo e o objetivo mais palpável. Nada mais estimulante do que ver cada objetivo sendo cumprido, por isso, tenha compromisso para realizar o que você mesmo propôs.

Busque ajuda

Além de consultar materiais sobre como fazer o seu próprio, recorra também à ajuda de outros profissionais. Pode ser um coaching de carreira ou um profissional experiente com o qual você tenha segurança e liberdade. A ideia é colher contribuições de terceiros para melhorar o seu próprio desempenho. Muitas vezes, eles serão capazes de falar sobre competências e habilidades importantes para o desenvolvimento de sua carreira.

Tenha modelos

Que profissional da sua área você admira muito? Na vida, é importante ter algumas pessoas consideradas modelos de atuação. Eles servem para dar inspiração e mostrar que é possível sim chegar a determinados patamares na carreira. Podem ser grandes líderes do mundo corporativo, como Mark Zuckerberg, do Facebook, ou empreendedores de sucesso como Luiza Trajano, do Magazine Luiza.

O importante é ter algumas personalidades em mente para se espelhar em suas condutas e esforços. Também é interessante pensar em exemplos de profissionais que você não gostaria de ser. Saber o que não quer para a vida profissional é igualmente importante e, às vezes, é mais fácil descobrir o que não queremos do que o que desejamos.

Não tenha medo

O medo faz com que muitas pessoas não saiam do lugar. A vida profissional oferece riscos como qualquer outra dimensão da vida, o importante é saber correr riscos calculados. Não fique no mesmo lugar por medo de errar. Arrisque, aposte, calcule e inove sempre que tiver oportunidade. Saia da zona de conforto e amplie seus horizontes!

Qual é a importância do planejamento para o sucesso profissional?

Ter um plano de carreira é fundamental para você ter uma diretriz mais segura e direcionada para seguir na vida profissional. Ele vai te trazer mais clareza sobre aquilo que você realmente quer, evitando que você siga por estradas que não são as realmente desejadas.

Por exemplo, muita gente acha fantástico ser um grande executivo em uma empresa multinacional, mas quando conhece realmente a vida que eles levam, vê que não é realmente isso que queria. Ter um grande cargo de liderança pressupõe grandes responsabilidades, viagens constantes, atribuições muito importantes e um cotidiano muitas vezes marcado pela pressão. Quando você almeja uma posição profissional, é preciso considerar, além do salário, tudo que vem no pacote.

Para ter sucesso profissional, é importante não só elaborar um plano, mas também estar atento a cada detalhe no momento de executá-lo. Não basta seguir à risca as propostas de seu planejamento: é preciso saber como fazer isso se conectando às melhores pessoas, fazendo escolhas mais acertadas e controlando a sua emoção de forma a aperfeiçoar habilidades comportamentais.

O filósofo, educador e escritor Mario Sergio Cortella costuma falar uma frase muito impactante em suas conferências: “um grande perigo é você se distrair do propósito daquilo que faz”. Com essa frase, ele nos lembra sobre a importância de atribuirmos sentido àquilo que fazemos. Na vida profissional, isso pode determinar o sucesso ou o fracasso. Quando fazemos aquilo com que nos identificamos, as chances de êxito são muito maiores.

No planejamento de carreira não tem como ser diferente. É preciso criar uma rota que nos interesse, nos instigue e nos faça brilhar os olhos. É por isso que não é recomendável seguir a carreira sonhada por seu pai ou sua mãe. Se o sonho é do seu pai, deixe ele realizar, ora! É preciso construir seu próprio planejamento para ter a real dimensão de que o sucesso da sua carreira só depende de você.

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Como fazer na prática?

Agora que você já sabe o que é o planejamento de carreira e como ele pode contribuir para o seu sucesso, é hora de colocar a mão na massa. Afinal, se você decidiu fazer um plano de carreira, é porque não quer estar no mesmo patamar profissional daqui a 5, 10 ou 20 anos, certo?

Vislumbre o futuro

Pensar onde e como deseja estar no futuro é um exercício importante para saber que ações precisam ser desenvolvidas no presente. Então, comece por vislumbrar onde e como você deseja estar no médio e longo prazos. Mas, atenção, essa não é uma tarefa baseada na futurologia! É importante ser realista e pensar em um futuro possível de ser construído dentro do contexto em que você está inserido.

Se, em 5 anos, você pretende saltar da posição de trainee que ocupa em uma grande empresa hoje para a posição de líder sênior, precisa saber exatamente o que fazer para chegar lá. Se, em 10 anos, você quer assumir uma gerência regional, precisa, mais uma vez, conhecer os meandros desses caminhos e como as suas atitudes influenciam nesse objetivo.

Em contrapartida, se, em 20 anos, você pretende começar a desacelerar a carreira e trabalhar apenas seis horas por dia, também precisa pensar no que isso significa. Às vezes, pode ser necessário abrir mão de um cargo de liderança, ou pode significar abrir uma empresa de consultoria, ou, ainda, começar a investir em startups. Tudo vai depender de como e onde você pretende estar.

Estude a realidade

Se você já tem um objetivo global traçado, é hora de conhecer melhor o terreno que deverá ser trilhado para chegar lá. Confira a formação, habilidades técnicas e comportamentais e outros detalhes que as pessoas que estão na posição que você deseja precisam ter. Se for possível, converse com eles, conheça suas atribuições, necessidades, dificuldades e o seu cotidiano para ter uma visão realista da posição.

A partir dessa análise, você pode concluir que, para chegar ao lugar desejado, será necessário ter fluência em inglês, formação complementar em gestão de projetos e muita habilidade para gerir pessoas. Além disso, pode-se descobrir que também precisará ser indicado por um diretor imediato para participar do processo seletivo interno.

Além disso, é bom identificar quais cargos ou posições você terá que ocupar antes de chegar ao cargo almejado. Geralmente, o planejamento mostra os degraus que terão que ser subidos nesse sentido. Às vezes, você pode identificar que será necessário exercer uma posição que não esperava, como coordenar uma equipe em uma unidade da empresa em outro estado ou até mesmo fora do Brasil. Estude a realidade e ajuste às suas expectativas e ações.

Estabeleça suas metas

De acordo com as informações conseguidas na análise de contexto, é chegada a hora de estabelecer suas metas, lembrando que também é importante adequar sua rotina de estudos às suas aspirações de carreira, pois uma está totalmente ligada à outra. As metas também devem ser de acordo com o prazo dos objetivos propostos, de curto, médio e longo prazos.

A fluência na língua inglesa, por exemplo, exige uma ação imediata, ou seja, começar a fazer aulas de inglês ou continuar do nível em que você parou. Como essa ação só vai te tornar fluente em alguns anos, é importante que essa meta seja de curto prazo.

Em relação ao exemplo da especialização em gestão de projetos, você pode estipular uma meta para fazê-la de acordo com as suas possibilidades. Ou seja, se você não pode começar essa formação imediatamente, pode colocar como meta “cursar uma pós-graduação em gestão de projetos até 2019", por exemplo.

Algumas metas, como a aquisição de habilidade para gerir pessoas, poderão ser adquiridas aos poucos. Você pode começar fazendo três treinamentos de atualização por ano e participar de, pelo menos, mais três seminários ou congressos sobre a área. Você também pode ter como meta participar de treinamentos relacionados à área em outros setores, para acompanhar de perto como as lideranças se comportam.

Lembre-se de que toda meta deve ser clara, ter um propósito específico, um prazo para ser cumprida e possível de ser alcançada. Uma meta pode ser concluir um curso, cumprir um cronograma de treinamentos, realizar um programa de coaching de carreira e até fazer um estágio técnico de poucos dias em outros setores da empresa que sejam de seu interesse. Para que as metas sejam alcançadas, é necessário que etapas não sejam puladas. Cumpra uma a uma, de acordo com o que foi previsto.

Acompanhe seu desempenho

Um ponto fundamental quando estabelecemos metas é acompanhar o nosso desempenho. É para isso que elas servem: para ver o quanto daquilo que foi proposto já foi alcançado. Por isso, nada de estabelecer metas e esquecê-las! Acompanhe seus resultados, faça uma análise deles e veja se suas metas estão muito ousadas ou conservadoras.

Às vezes, pode ser necessário revê-las. Se você colocou como meta fazer uma hora de aula de inglês por semana rumo à fluência, e viu que o seu prazo de cinco anos se aproxima e o seu inglês não evoluiu o bastante, pode ser necessário colocar outra ação como meta: um intercâmbio de alguns meses no exterior, por exemplo. Mas lembre-se: metas devem sempre ser acompanhadas.

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Quais erros devem ser evitados?

Em nosso país, existe uma cultura de não tolerância ao erro, que massacra os profissionais. No entanto, se você conhece a história de grandes empreendedores, gestores e líderes, perceberá que nenhum deles chegou ao topo sem cometer erros. O erro é humano e muitas vezes necessário ao processo, mas é preciso saber onde e como errar. Até para cometer erros é preciso ter conhecimento.

Quando se está construindo um planejamento, alguns erros podem e devem ser evitados. Alguns deles já foram citados acima, como fazer um plano de carreira com base nos objetivos de outras pessoas ou escolher uma área com a qual você não tenha afinidade, por exemplo. Mas outros pontos devem ser observados.

Evite a ansiedade

Como o próprio nome diz, planejamento é um processo pensado no presente, para que se consiga um futuro mais próximo daquilo que desejamos ou esperamos. Planejar também é um exercício de paciência. Os objetivos e metas traçados hoje não vão começar a mudar a sua vida imediatamente, por isso é preciso um plano, para que tudo tenha tempo de acontecer. Se você fica ansioso, querendo ter um salário muito maior e assumir uma gerência agora, não conseguirá nem uma coisa, nem outra. Para tudo há um tempo de maturação.

Saia do isolamento

Isso não tem nada a ver com ser tímido, mas sobre ser extremamente avesso ao convívio social e achar que isso não impacta a vida profissional. Impacta, sim. No mundo corporativo, as pessoas gostam de pessoas sorridentes, de fala segura e aperto de mão firme, portanto, é possível ser tímido e, ainda assim, desenvolver essas habilidades.

Muitos profissionais traçam seus planos de carreira achando que o processo depende apenas deles. Ledo engano. Para conseguir percorrer o seu caminho, você vai precisar contar com muitas pessoas, por isso é importante focar em desenvolver bons relacionamentos. Isso não quer dizer se tornar um “puxa-saco” de plantão — pelo contrário. Os bajuladores são logo identificados como pessoas desagradáveis e inconvenientes. As relações profissionais devem ser pautadas na ética e na cooperação.

Participe dos grupos de discussão da empresa, se envolva nos problemas reais dos setores, demonstre seu interesse em contribuir, apresente seus pontos de vista sem desmerecer aquilo que já foi construído e mantenha os relacionamentos ativos. Não espere apenas que as pessoas batam no seu setor. Seja você o responsável por propor projetos e atividades multisetoriais.

Esqueça a necessidade imediata

Se você leu em uma matéria da imprensa que o mercado está carente de engenheiros de petróleo e pretende construir a sua carreira baseada nessa estatística, esqueça. Lembre-se de que o mercado é sazonal, assim como as suas necessidades e, sendo um planejamento de longo prazo, você não deve pautá-lo em uma referência tão imediata. O seu plano deve levar em consideração diferentes variáveis, jamais apenas uma.

O imediatismo leva muitos jovens profissionais a cometerem equívocos que vão comprometer suas carreiras pelo resto da vida. Um exemplo clássico é construir o plano de carreira baseado na estrutura que a própria família já construiu. Um advogado quer aproveitar a estrutura do escritório, um odontólogo quer aproveitar o nome do consultório, entre outros casos.

Você pode estar se perguntando: se eu já tenho uma facilidade, não posso considerá-la na minha vida profissional? Não há nenhum problema, desde que você não trace todas as suas metas com base nisso. O fato de o seu pai ter um escritório de advocacia não deve impedir que você trace as suas próprias metas, afinal, a família tem um escritório hoje, mas amanhã, ninguém sabe. Portanto, esses fatores externos devem ser considerados, mas jamais devem servir de base para a sua carreira.

Como as qualificações profissionais podem ajudar no sucesso da carreira?

Em um país em que a graduação deixou de ser um diferencial, apostar em formações complementares são uma necessidade. Neste cenário, os cursos de pós-graduação cumprem bem esse papel, pois podem ser feitos com menor investimento e em menos tempo, de acordo com os objetivos estabelecidos no seu planejamento.

Eles auxiliam muito, pois suprem uma necessidade imediata do profissional. Um exemplo foi o boom das mídias sociais no Brasil. Muitos profissionais trabalhavam no ramo, mas ninguém tinha formação técnica adequada para tal. Com essa necessidade, surgiram especializações nessa área e supriram a necessidade dos profissionais e do mercado como um todo.

O mesmo aconteceu com a área de tecnologia voltada ao desenvolvimento de aplicativos. Há alguns anos, esse mercado não existia. Hoje, ele é uma realidade e movimenta milhões no Brasil e no mundo. Um curso de pós-graduação pode ser facilmente encaixado em um planejamento de carreira, quando determinado conhecimento for necessário.

Planejar é algo essencial para qualquer pessoa que pretende ter a sua vida profissional sob controle. Ter um plano não garante que você terá sucesso pleno, mas aumenta muito as suas chances de alcançá-lo, já que ele oferece objetivos e metas a serem cumpridos para se chegar onde deseja.

O plano de carreira também ajuda a evitar alguns erros e seguir caminhos mais seguros para conseguir o que é pretendido. Mais uma vez, esse planejamento vai oferecer diretrizes seguras e objetivas a serem seguidas, mas não evitará que você erre — no entanto, quando errar, você logo saberá mudar de trajetória.

A carreira, assim como a vida, é feita de muitos caminhos. Quando a viagem é planejada, a rota pode ser aproveitada da melhor forma e a chegada fica mais leve e proveitosa. Comece a fazer o seu plano agora mesmo, lembrando que: a carreira é sua, portanto os objetivos e metas devem ser seus; crie metas realistas, mas desafiadoras; acompanhe o seu desempenho e mude de direção se for preciso!

E você? Já começou a fazer o seu planejamento de carreira? Conta pra gente nos comentários e compartilhe conosco sua experiência!

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Fábio Albuquerque

Fábio Albuquerque

Pró-Reitor da Pós-graduação do Unipê. Mestre em Administração pelo Programa de Pós-graduação em Administração da Universidade da Paraíba, Especialista em Estratégia Empresarial e Pesquisador de Marketing, Consumo e Sociedade, além de Tecnologia da Informação e Sociedade.

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