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Série temas de redação do Enem: parte 7

A redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) tem como tradição propor temas relevantes para o cenário brasileiro atual. Na hora de se preparar para a prova, use isso a seu favor: com conteúdo espalhado pelos jornais, TV e internet, não vai faltar opção de material de estudo para você ficar informado.

A redação requer muita leitura. Por isso, preste atenção a alguns temas em alta nos últimos tempos, como o debate sobre arte urbana, motivado pelas decisões da prefeitura de São Paulo de 2017; ou as questões de diversidade de gênero, cada vez mais presentes na mídia, na política e na vida pública em geral.

Estar informado e ter bons argumentos sobre estes assuntos podem te garantir muitos pontos no exame. Leia mais, a seguir, no material que preparamos para você sobre possíveis temas de redação do Enem!

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O que é arte urbana?

Grafite é arte? E murais assinados por artistas internacionais? As maiores cidades do mundo têm painéis e muros decorados. É certo, então, apagar trabalhos em nome da “limpeza”?

Essas discussões foram levantadas no início deste ano, quando, em um dos primeiros atos da gestão do prefeito de São Paulo, João Dória, vários grafites e “piches” foram cobertos com tinta cinza.

A alegação foi de que muitos não tinham autorização, e que enfeiavam a cidade. Alguns trabalhos, porém, ficaram intactos. Mesmo assim, grafiteiros e defensores da arte de rua se manifestaram contra a decisão, pois, para eles, cobrir as obras é sinônimo de cerceamento de liberdade.

Mas, afinal, o que é arte urbana? É toda a intervenção artística expressa na cidade, desde esculturas até murais, estêncil e grafites. Nomes como o estadunidense Jean Michel Basquiat, o britânico Bansky e os brasileiros gêmeos Otávio e Gustavo Pandolfo são reconhecidos pela crítica como artistas legítimos.

O grafite, em especial, vem da Nova York dos anos 70, quando gangues dividiam as regiões da metrópole norte-americana. Escrever nomes e frases pelos muros era uma forma de marcar território e intimidar os adversários. Criativas e coloridas, essas inscrições acabaram integradas na paisagem. Basquiat, por exemplo, surgiu por influência direta destes precursores da arte urbana.

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E no Brasil?

Por aqui, os primeiros grafites e pichações surgiram ainda na década de 70. Os grupos que lutavam contra a ditadura militar em vigor no país estampavam suas frases de ordem pela cidade, em forma de protesto.

Hoje, a ideia é levar cor, vida, histórias e ideias para as ruas, geralmente tomadas pelo cinza do concreto e a sobriedade dos prédios, cada vez mais altos. Embelezar os muros e paredes é valorizar a cidade, garantem os defensores da prática.

Também é uma forma de democratizar a arte e a expressão. Antes confinadas aos museus, as obras ganham as ruas, dando a oportunidade para todos apreciarem e aprenderem com elas.

Porém, essa ideia não é unanimidade. A arte urbana também tem muitos críticos. As pichações, por exemplo, são rejeitadas por uma grande parte da população. São inscrições e desenhos menos refinados, geralmente com o objetivo de passar uma ideia ou marcar um território.

É preciso lembrar, também, que, mesmo para os projetos artísticos mais elaborados, o autor precisa de autorização do proprietário do imóvel, seja público ou privado, para fazer a pintura.

Na redação, você pode refletir se grafites, pichações e afins são uma manifestação livre ou se precisam de limites. Se sim, quem impõe esses limites? Os próprios cidadãos ou o poder público?

E sobre a diversidade de gênero?

Essa discussão está cada vez mais presente na sociedade atual. Afinal, a sexualidade humana pode ser dividida de forma binária, ou seja, feminino e masculino? Uma parcela crescente dos brasileiros afirma que não. Expressões de gênero “fora dos padrões” estão ganhando espaço e legitimidade, graças à luta dos ativistas por direitos igualitários.

Transgênero são as pessoas que nascem com um sexo biológico, mas ao longo da vida o redefinem. O motivo é a inadequação, que faz com que elas não se identifiquem com a forma que vieram o mundo. Já aqueles que permanecem com o sexo biológico são chamados de cisgêneros, maioria entre a população.

E essas duas categorias estão longe de resumir a discussão de diversidade de gênero. Incluem-se, ainda, os bissexuais, mulheres transgênero que se relacionam com outras mulheres – e homens, com outros homens – e até pessoas que removem todos os sinais de gênero de sua identidade, porque não se identificam com nenhum. O fato é que pessoas não-binárias estão reivindicando seu espaço na sociedade.

Na redação, você pode citar recentes propagandas de vestuário e cosméticos, por exemplo, já que algumas marcas estão apostando em um público mais diverso, escolhendo pessoas transgêneros para estrelarem suas campanhas.

Aliás, nas lojas, cresce o segmento de roupas unissex. Falar sobre gênero, hoje em dia, vai muito além da discussão “isso é coisa de homem; e isso, de mulher”.

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Há leis pela igualdade?

A luta pela diversidade sexual também é política. Lembre-se que o procedimento de redefinição de sexo é oferecido pelo Sistema Único de Saúde brasileiro, assim como o nome social, que também é garantido por lei a todos aqueles que quiserem a nova denominação. Mas ainda há reivindicações não cumpridas, como a criminalização da homofobia.

Nesse contexto, é importante refletir sobre alguns pontos: a lei garante igualdade a todos? Contempla tanto homens e mulheres em acordo com seu sexo biológico, quanto aqueles que passam por um processo de reidentificação ao longo da vida?

Uma boa dica para esse tema é evitar extremismos e palavras fortes, seja você contra ou a favor da diversidade sexual. Afinal de contas, o Brasil ainda tem muito o que evoluir em termos de reconhecer as diferenças. Utilize critérios isentos para construir sua argumentação, como a lei, a necessidade de evitar a violência ou o direito à liberdade individual.

Essas foram algumas dicas para você não ter nenhuma surpresa com os possíveis temas de redação do Enem! Pratique, escreva bastante e, na hora da prova, desenvolva os tópicos, abordando cada argumento. E não esqueça de revisar seu texto antes de entregá-lo!

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Ana Flávia da Fonseca

Ana Flávia da Fonseca

Ana Flávia Pereira Medeiros da Fonseca é reitora do Centro Universitário de João Pessoa - Unipê. Doutora em Ciência da Informação pela Universidade de Maryland-EUA, exerceu cargo de Chefe de Arquitetura de Informação (Chief Information Architect) e Gerente do Departamento de Gestão da Informação do Banco Mundial. Possui experiência em negociação e cooperação internacional na área de projetos de informação com agências multilaterais e bilaterais, administrando programas relacionados à análise e ao apoio de projetos científicos e tecnológicos.