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Temas de redação do Enem: liberdade de expressão e ativismo em redes sociais

A redação é uma das partes mais importantes e dinâmicas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Ela é a única oportunidade que o candidato tem para mostrar livremente o seu repertório. Portanto, é importante estar preparado para não desperdiçar essa chance!

Pensando nisso, apresentamos mais uma parte da série que traz alguns possíveis temas de redação do Enem 2017. Hoje, vamos abordar, além de como é feita a escolha dos temas de redação, os seguintes tópicos: “liberdade de expressão e mídia” e “ativismo em redes sociais”. Confira a seguir!

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A escolha dos temas de redação do Enem

Relevância social. Você sabia que esse é o critério mais importante para a escolha dos temas de redação do Enem?

Embora o método seja sigiloso, sabe-se que os temas são escolhidos por especialistas selecionados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (INEP) e o processo, desde sua primeira aplicação, possui algumas características recorrentes que nos dão essa indicação. São elas:

  • Apreço pelo lado social;
  • Apresentação de dados estatísticos que comprovem um problema;
  • Recomendação de que seja apresentada uma solução que respeite, em primeiro lugar, os direitos humanos.

Se você tem alguma dúvida, basta relembrar as abordagens temáticas das últimas edições do Enem: publicidade infantil, imigração e violência contra a mulher. Foi com base em uma análise minuciosa desse histórico que criamos essa série.

Sendo assim, nos próximos tópicos, conheça dois possíveis temas que podem cair na redação do Enem:

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1. Liberdade de expressão

A garantia das liberdades individuais do cidadão, como a liberdade de expressar o que pensa, é um dos temas possíveis – uma vez que, embora inscrita em nossa constituição, gera grande controvérsia na sociedade.

Não consegue lembrar de nenhum caso que teve repercussão na mídia? Não se preocupe. Mais à frente, vamos dar alguns exemplos de como essa questão é relevante.

Tenha sempre em mente que estar por dentro das principais notícias e atualidades é mais do que fundamental, já que os temas escolhidos normalmente tiveram algum destaque na mídia nacional.

Seguindo essa linha, se pensarmos no cenário nacional, a liberdade de se expressar vem, geralmente, conjugada à temáticas polêmicas. Pense bem: quando alguém expressa sua opinião publicamente, que argumento ele costuma usar para se defender? Isso mesmo, o direito à liberdade de expressão.

No cenário internacional, esse debate ganhou notoriedade quando terroristas islâmicos atacaram o jornal satírico Charlie Hebdo, em Paris, ocasionando diversas mortes. A justificativa dos terroristas era a defesa do profeta Maomé, figura religiosa que havia sido satirizada em edições do jornal.

Seguindo as ações do MEC nos últimos anos, a proposta de redação, possivelmente, seria composta por:

  • Uma indicação para que o candidato exponha seu ponto de vista;
  • Um pedido para que o candidato apresente argumentos que defendam o ponto de vista apresentado;
  • A solicitação de que todos os argumentos respeitem os direitos humanos.

Entenda que, desde que ela respeite os princípios dos direitos humanos, não há certo ou errado em relação à opinião do candidato. Basta saber defendê-la.

Isso porque, na redação, os avaliadores estão testando a habilidade do candidato em argumentar, refletir e de expressar um conjunto de informações que aprendeu na escola, além de seu repertório cultural.

Assim, alguns pontos abordados pelo candidato podem ser os mesmos que acompanham o debate social sobre o conceito de liberdade de expressão e seus limites.

Ela deveria realmente ser irrestrita? Deve abarcar o direito de ofender? Esse direito deveria vir correlacionado com o dever da responsabilidade? Deveria haver sanções em casos de abusos? Quem mediria esses abusos?

Percebeu a relevância desse tema e como existem diversos questionamentos que podem servir como linhas de argumentação? Comece, então, a se preparar para o tema hoje mesmo.

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2. Ativismo em redes sociais

Você já parou para pensar na relação entre as mídias sociais, a sociedade e a cultura? No tópico anterior, nós demos alguns exemplos de casos que repercutiram nas redes sociais.

Em todos eles, vimos casos de ativismo na internet que tentaram — e conseguiram — alavancar debates. Um exemplo recente são as declarações de políticos da bancada evangélica sobre temas que envolvem gênero.

O ativismo é um fenômeno que requer integração e engajamento da sociedade, ou pelo menos parte dela. Quando digitalizado, seu alcance torna-se inimaginável, uma vez que ele se torna acessível, independentemente da distância geográfica entre os ativistas.

Reconhecer essa abrangência, facilidade de acesso e interação, entretanto, não quer dizer que estamos lidando com um fenômeno plenamente positivo.

Questione-se. Se há um maior engajamento online, será que não há um menor engajamento presencial, concreto e com efeitos? Se há uma aplicação de vozes, as contrárias aos movimentos também ganham amplitude?

Essas reflexões que podem embasar a argumentação do candidato são o caminho para sair do previsível. Alia-se a isso os argumentos que visam o bem-estar social e a democracia.

Além disso, já citamos anteriormente que acompanhar as notícias é fundamental para saber quais temas estão em alta. Agora, vamos ressaltar um outro ponto: as notícias como base para argumentação.

Se somos informados de que há uma quantidade significativa de pessoas em protestos e que elas se organizaram virtualmente, por outro lado, podemos fazer uma comparação entre esses números e os das manifestações anteriores à expansão das redes sociais.

Um bom pressuposto, por exemplo, seria um comparativo entre os números das ações “Fora Temer” e as “Fora Collor”, bem como os resultados.

E as possibilidades não param por aí. O candidato pode questionar em seu texto quem são os sujeitos que estão se organizando.

Há pouco mais de dois anos, Umberto Eco, um escritor italiano, disse que as “redes sociais deram voz a imbecis”. Esse comentário saiu em vários sites de notícias e, embora seja questionável em seus adjetivos, ela traz verdades.

Quem são esses ativistas? Quais os seus argumentos? Será que estamos realmente lidando com ativistas? Um olhar crítico sobre esse tema pode ser o ponto chave para o sucesso do candidato.

Vale lembrar que é preciso apontar uma solução quando o seu texto evidencia algum problema.

Seguindo nossa discussão, algumas das soluções que o candidato pode trabalhar são: implantar o uso das redes sociais como tema de discussão nas escolas, promover palestras sobre o uso saudável das mídias e promover a conscientização da comunidade sobre a necessidade da participação efetiva nos movimentos sociais.

Gostou do nosso artigo sobre temas de redação do Enem? Para ter acesso a outras dicas e acompanhar a nossa série sobre possíveis temas, além de liberdade de expressão e ativismo em redes sociais, não deixe de curtir a nossa página no Facebook!

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Ana Flávia da Fonseca

Ana Flávia da Fonseca

Ana Flávia Pereira Medeiros da Fonseca é reitora do Centro Universitário de João Pessoa - Unipê. Doutora em Ciência da Informação pela Universidade de Maryland-EUA, exerceu cargo de Chefe de Arquitetura de Informação (Chief Information Architect) e Gerente do Departamento de Gestão da Informação do Banco Mundial. Possui experiência em negociação e cooperação internacional na área de projetos de informação com agências multilaterais e bilaterais, administrando programas relacionados à análise e ao apoio de projetos científicos e tecnológicos.