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Temas de redação do Enem: desigualdade étnica e de gênero e novos modelos de educação

Enfim, a época dos vestibulares chega e você começa a pensar em todos os assuntos que podem ser temas de redação do Enem, não é mesmo? Nesse caso, é importante dar atenção a dois assuntos: a desigualdade étnica e de gênero e os novos modelos de educação.

Ambos os temas englobam questões sociais, com a intenção de propor debates sobre inclusão, tanto pela igualdade de direitos (extinguindo qualquer tipo de preconceito) quanto pela busca por um aprendizado que não exclua alunos com dificuldades no aprendizado.

Então, para saber mais sobre esses assuntos, continue lendo este post e esteja pronto caso eles sejam temas de redação no vestibular!

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A desigualdade étnica e de gênero

Cada vez mais fortes no país e no mundo, os debates sobre as questões sociais têm atingido também os jovens. E os motivos são óbvios. Para muitos, trata-se até de uma questão pessoal, pois eles sofrem desses problemas.

Por outro lado, também há uma necessidade de debate em um âmbito geral: afinal, são questões que precisam da conscientização de todos. Uma delas é a desigualdade étnica e de gênero.

Tratando de gênero

De fato, as mulheres sofrem com a desigualdade de direitos em diversas áreas da sociedade, como o âmbito profissional, por exemplo. Ainda hoje, a discriminação de gênero reflete diretamente no número de mulheres que ocupam cargos de chefia, além da diferença de salários.

Um estudo da ONU realizado no último ano revelou que, mundialmente, o salário das mulheres é 24% menor que o dos homens, ainda que ambos exerçam a mesma função e tenham os mesmos cargos.

Além disso, muitas mulheres acabam relegadas apenas a funções domésticas, como cuidar da casa e dos filhos. Até porque, várias vezes, elas ainda são vistas como indesejáveis pelas empresas, que temem ter de lidar com uma possível licença maternidade.

Mas essa desigualdade de gênero ainda pode ser encontrada em outros setores e relações sociais.

É o caso da violência contra a mulher, que também merece destaque. Afinal, sabemos que diversos casos de agressões domésticas, abusos sexuais e assédios ainda estampam os noticiários.

Enfim, o machismo no Brasil (assim como no mundo, de modo geral) é cultural e estrutural, o que contribui para essa desigualdade de gêneros e tantas dessas agressões. E, justamente por conta disso, temos a retomada do movimento feminista.

Especialmente na última década, com a ajuda dos avanços da internet, as mulheres têm se unido e fortalecido cada vez mais para ter voz contra esses problemas, enfrentados diariamente em todas as esferas da sociedade.

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Abordando a desigualdade étnica

O paralelo que se pode traçar entre a desigualdade étnica e de gênero, infelizmente, é muito pertinente. Isso porque ambos os problemas desencadeiam consequências similares para quem os sofrem.

Assim como as mulheres, os negros, os índios e os descendentes de asiáticos sofrem preconceito e discriminações de diversas formas em seu dia a dia.

Pense bem: quantos asiáticos você já viu com o papel principal em uma novela? De quantos negros você já ouviu falar com cargos de diretoria em uma grande empresa? Ou, na sua escola, quantos adolescentes ou crianças de origem indígena você já viu?

De fato, essa desigualdade racial influencia em muitos pontos na vida de quem é prejudicado pelo preconceito. Tanto por menos acesso a saneamento, educação, recursos e oportunidades de emprego, como por uma exposição bem maior à violência.

Sobre isso, inclusive, a revista Super Interessante produziu um vídeo informativo, com dados que exemplificam bem o tamanho desse problema de desigualdade étnica. Para ter uma noção, vejamos alguns dos números apresentados:

  • A chance de um negro ser analfabeto é cinco vezes maior do que a de um branco;
  • Apenas uma a cada quatro pessoas com ensino superior é negra;
  • 70% das pessoas que vivem em situação de extrema pobreza no país são negras;
  • 51,3% dos negros não possui acesso à internet;
  • 70% das pessoas que dependem do SUS são negras;
  • Nos últimos 10 anos, o número de homicídios de mulheres brancas caiu 32,5%, enquanto, entre as negras, subiu 62%;
  • A cada 12 minutos, uma pessoa negra é assassinada no Brasil.

Novos modelos de educação: o ensino que não exclui

Sabe aquele modelo básico de ensino que estamos acostumados: o professor fala, o aluno anota, leva trabalhos para casa, estuda para prova e passa de ano? Pois é, ele pode estar, gradativamente, dando lugar a um novo conceito de escola.

Em alguns dos novos métodos de ensino, o aluno deixa de ocupar esse lugar de mero receptor, e passa a ter um papel muito mais ativo e participante no seu aprendizado. Os resultados são concretos, ainda que haja a desconfiança natural.

E o Brasil vem abrindo espaço para esse novo modelo de educação nos últimos anos. Para entender isso melhor, vale a pena conhecer alguns desses modelos de escola e seus métodos de ensino.

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Escola da Ponte

A Escola da Ponte teve origem em Porto, Portugal, e dispõe um método sem salas de aulas, com mais diversidade de disciplinas e com os alunos escolhendo em quais delas se aprofundarão mais.

Aqui, além das disciplinas tradicionais, o aluno tem acesso a conteúdo de aprendizado artístico, pessoal e social. E o acompanhamento dos alunos é individualizado e conduzido de acordo com suas necessidades particulares.

Um tutor — escolhido pelo próprio aluno — o acompanha na trajetória escolar estabelecida por ele. Ao fim, em conjunto, eles avaliam o que o aluno aprendeu, e se ainda restam dúvidas ou pontos a reforçar.

Hoje, há um projeto em Eldorado do Sul, em Porto Alegre, para estabelecer uma escola nesses moldes — mas ainda está na fase de estudos na prefeitura.

Sala de aula invertida

Nessa proposta, os alunos estudam os conteúdos em casa e, posteriormente, vão à escola para tirar dúvidas e fazer exercícios com os professores.

Assim, com a autonomia de desenvolver as tarefas no seu próprio ritmo, eles dispõem de um auxílio individualizado dos professores, de acordo com suas necessidades. E também recebem todo apoio e incentivo para realizar trabalhos em grupo e expor suas ideias diante da turma.

Infelizmente, esse método de sala de aula invertida ainda não foi implementado em nenhuma instituição de ensino no país.

School In The Cloud

Esse modelo consiste, basicamente, em permitir que os alunos explorem os conteúdos em um computador, enquanto o professor circula propondo questionamentos que despertem a sua criatividade.

Isso porque, com os computadores, os estudantes têm acesso ilimitado aos conteúdos de aprendizado. Assim, o professor funciona como uma espécie de monitor das atividades, e não mais o detentor de todo o conhecimento.

O método surgiu após um experimento em que o professor indiano Sugatra Mitra instalou computadores em comunidades pobres do país, permitindo que as crianças aprendessem a operar as máquinas por pura intuição.

Como resultado, além de aprenderem de forma surpreendente, as crianças ainda se ajudaram umas às outras na hora de lidar com as máquinas.

Então, o professor Mitra inseriu o conteúdo escolar nos computadores e passou a aplicar testes regularmente para as crianças, obtendo resultados muito satisfatórios. Sem dúvidas, vale a pena ler um pouco mais do projeto!

Enfim, como vimos, cada uma dessas experiências testa novas possibilidades e tenta sanar falhas já recorrentes do modelo escolar tradicional — evidenciando que, em seus 300 anos de existência, ele pode já estar ultrapassado e defasado.

Então, gostou do nosso post? Agora que você já viu um pouco mais sobre a desigualdade étnica e de gênero e os novos modelos de educação, aproveite para curtir a nossa página no Facebook e fique pode dentro de outros possíveis temas de redação do Enem!

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ENEM

Ana Flávia da Fonseca

Ana Flávia da Fonseca

Ana Flávia Pereira Medeiros da Fonseca é reitora do Centro Universitário de João Pessoa - Unipê. Doutora em Ciência da Informação pela Universidade de Maryland-EUA, exerceu cargo de Chefe de Arquitetura de Informação (Chief Information Architect) e Gerente do Departamento de Gestão da Informação do Banco Mundial. Possui experiência em negociação e cooperação internacional na área de projetos de informação com agências multilaterais e bilaterais, administrando programas relacionados à análise e ao apoio de projetos científicos e tecnológicos.