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Saiba tudo sobre logística portuária

Não é de hoje que muitos empresários enxergam a logística como uma chance para tornar o negócio mais competitivo. Por isso, hoje vamos falar sobre algo que deveria ser motivo de muita discussão para o governo federal, estadual e municipal: a logística portuária.

Infelizmente, o Brasil está longe de oferecer uma logística eficiente em seus portos, devido à falta de infraestrutura adequada para movimentação das mercadorias e exagerada burocracia alfandegária. E, como consequência disso, a atual logística portuária do nosso país dificulta — em vez de facilitar — a realização de novos negócios.

Para que você entenda tudo (e mais um pouco) sobre o assunto, preparamos este post! Confira.

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O que é logística portuária, afinal?

Antes de mais nada, é preciso entender que logística é a área da administração que cuida do transporte, armazenamento, recebimento e da utilização de materiais e produtos. Há diferentes tipos de logística, mas, no momento, é importante que você saiba que esse é o setor encarregado de fazer as coisas e/ou pessoas estarem no local certo e na hora certa.

A logística portuária, por sua vez, compreende as atividades relacionadas com a movimentação de cargas, envolvendo transporte, carregamento e descarregamento das embarcações, agenciamento marítimo e rebocagem, por exemplo.

Seu processo é considerado um dos mais problemáticos e complexos do território brasileiro. Isso porque os órgãos e as instituições responsáveis solicitam que diversas informações sejam discriminadas, compartilhadas e entregues, o que reflete diretamente no prazo de entrega das mercadorias.

Como é a sua estrutura?

A estrutura da logística nos portos se divide em três tipos:

Complexo fixo

O complexo fixo se refere ao conjunto de instalações que compõe a estrutura física da logística portuária, como os portos, os terminais portuários, os armazéns, os cais e todos os equipamentos envolvidos nos processos.

Administração

Refere-se às entidades incumbidas de gerenciar os portos, como as docas, o Grupo Executivo para Modernização dos Portos (GEMPO), o Órgão Gestor de Mão de Obra (OGMO) e o Conselho de Autoridade Portuária (CAP).

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Operação

A operação é o setor que realiza as operações portuárias e é representada por: operador portuário, pilotos marítimos, rebocadores e Sindicato dos Trabalhadores Avulsos.

Como ela afeta o processo logístico?

Não existiria um processo logístico sem os modais de transporte para efetivar o transporte das cargas. No caso desse tipo de logística, os modais são os portos, pois são os pontos de embarque, desembarque, armazenamento, estocagem, movimentação e empilhamento de mercadorias.

O problema é que as falhas acontecidas nos portos brasileiros atrapalham o desenvolvimento do processo logístico e impactam negativamente a economia nacional. Essas falhas são viabilizadas pela falta de estrutura, investimento e modernização, e potencializadas pela ineficiência e burocracia.

Parece algo muito sério e, de fato, é. Caso um equipamento pare de funcionar em um determinado porto, o deslocamento de outras cargas fica impossibilitado, acarretando o atraso na entrega do produto, comprometendo a satisfação do cliente e a reputação da empresa emissora.

Os portos brasileiros enfrentam muitas dificuldades: é necessário construir, ampliar e recuperar terminais, além de melhorar os acessos terrestres e a infraestrutura portuária. Até mesmo o porto de Santos, o maior do país e referência em toda a América Latina, sofre com a defasagem de recursos e ausência da ampliação há tempos.

Em suma, os portos brasileiros são, tristemente, menos produtivos que os de outras nações.

Qual a sua importância para a economia?

A maior parte das operações ocorridas nos portos brasileiros são referentes à importação e à exportação de materiais e produtos. Em vista disso, a logística possui um papel decisivo no crescimento econômico do país em nível internacional.

Para que tudo ocorra da melhor forma possível, os portos precisam apresentar condições físicas para receber navios de diversos países, sem que isso prejudique o andamento dos processos. Contudo, o que se sabe é que o tempo médio de espera e a fila para embarque só aumentam nos portos brasileiros.

Os portos não devem possibilitar apenas que as embarcações atraquem, mas também garantir segurança durante toda a sua estadia. Logo, não é difícil entender o motivo para a logística ser vital para o desenvolvimento econômico do Brasil.

Como funciona nos principais portos do mundo?

Tecnologia de ponta, profissionais de logística altamente capacitados e equipamentos adequados para diferentes funções: é essa a realidade de alguns portos ao redor do mundo — uma realidade muito distante do Brasil, por sinal.

Conheça alguns exemplos e suas respectivas curiosidades logísticas:

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Porto de Xangai

A China possui 7 portos que estão entre os 10 maiores do mundo, e o de Xangai, um verdadeiro gigante logístico, está no topo do ranking.

Com uma demanda audaciosa, movimentou 10 milhões de contêineres em 2015 e a previsão é de expandir sua capacidade para 15 milhões até 2020. Foi preciso muito investimento em infraestrutura, espaço — são 3.600 quilômetros de extensão — e tecnologia. Não é à toa que, hoje, a importação de produtos chineses lidera o mercado.

Porto de Roterdã

O porto de Roterdã é pioneiro em automatização desde — pasme — os anos 90! O processo logístico desse porto holandês conta com robôs operando na logística de contêineres antes de muitas casas no Brasil terem acesso a computadores.

O quarto maior porto do mundo conta com uma central de monitoramento, onde os funcionários conseguem direcionar as máquinas no transporte de cargas, enquanto observam o fluxo de movimentos. Ou seja, há otimização dos processos e do tempo, aumentando a segurança e evitando perdas.

Porto de Oakland

Com foco em melhorar a produtividade e atrair mais cargas, o porto de Oakland, nos Estados Unidos, aposta em um centro de distribuição e oferta de novos serviços logísticos para facilitar o transporte de mercadorias, diversificar operações e reduzir os custos de seus clientes.

Tudo isso estava com previsão de custar em torno de US$ 1 bilhão em recursos públicos, conforme a notícia de 2015 do jornal A Tribuna, da Baixada Santista.

Não tem jeito: o Brasil precisa se atentar e promover um avanço significativo nesse segmento. Caso contrário, ficará para trás enquanto outras nações enxergam a possibilidade de enriquecerem cada vez mais.

Está pensando em se tornar um profissional de logística? Saiba que a área está, mesmo que em passos lentos, em constante expansão no Brasil e o esperado é que continue crescendo pelos próximos anos.

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Logistica

Ana Flávia da Fonseca

Ana Flávia da Fonseca

Ana Flávia Pereira Medeiros da Fonseca é reitora do Centro Universitário de João Pessoa - Unipê. Doutora em Ciência da Informação pela Universidade de Maryland-EUA, exerceu cargo de Chefe de Arquitetura de Informação (Chief Information Architect) e Gerente do Departamento de Gestão da Informação do Banco Mundial. Possui experiência em negociação e cooperação internacional na área de projetos de informação com agências multilaterais e bilaterais, administrando programas relacionados à análise e ao apoio de projetos científicos e tecnológicos.

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