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Mitos da enfermagem: o que não é verdade acerca dessa profissão?

Profissão só de mulher, médico frustrado, assistente das carreiras da área da saúde. Quem nunca ouviu (ou até pensou) esse tipo de coisa a respeito de quem estuda enfermagem ou de quem já se tornou enfermeiro?

Como muitos sabem, a enfermagem sempre esteve envolta em simbolismos e estereótipos que ganharam os anos e se tornaram inerentes à profissão com ajuda do senso comum. E isso acompanha a carreira desde o seu surgimento, ainda no período Antes de Cristo, quando as doenças eram consideradas castigos de Deus, e quando, mais tarde, a enfermagem se tornou reconhecida por meio da assistência prestada em hospitais aos feridos de guerra.

Esse tipo de imagem construída sobre a carreira desde seus primeiros anos de existência, porém, permanece viva até hoje, embora já esteja ultrapassada há muito tempo. Os mitos da enfermagem já não reproduzem mais a verdadeira missão da profissão. Hoje, a carreira tem uma ampla área de atuação e exige capacitação constante.

A seguir, vamos desmascarar 6 dos principais mitos da enfermagem. Confira!

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1. O enfermeiro é ajudante do médico

Engana-se quem pensa que o enfermeiro é um mero auxiliar ou executor das ordens do médico. Ou que ele é um médico frustrado ou integra uma subcategoria da medicina. Nada disso é verdade.

Mesmo ainda sendo recorrente, esse tipo de pensamento é errado. Primeiro, porque são duas missões bem distintasenquanto o médico é responsável por dar o diagnóstico e prescrever o tratamento, o enfermeiro é quem dá assistência e faz um acompanhamento integral e efetivo das necessidades do paciente.

Segundo, porque não existe hierarquia entre os profissionais de saúde que lidam diretamente com o paciente: ninguém é mais ou menos que o outro durante o processo de tratamento.

2. É uma profissão só de mulher

Embora seja predominantemente feminina desde a sua origem, dentro de uma cultura católica e de guerra, a enfermagem já deixou de ser restrita apenas às mulheres. Ao longo dos anos, mais e mais homens vêm ingressando na carreira, interessados no trabalho de assistência aos pacientes dentro ou fora dos hospitais.

A prática do cuidado e da caridade aos enfermos, falsamente ligada às características femininas e maternais, deixou de ter um gênero específico a partir do momento em que a vocação e a vontade individual passaram a direcionar o caminho das pessoas durante a escolha profissional.

3. A profissão está associada ao erotismo e à sexualidade

A figura da enfermeira sexy e vulgar, usando jaleco branco e saia curta e apontando o dedo indicador em frente à boca em referência ao silêncio, já dominou muito o imaginário e o fetiche masculino no passado. Esse estereótipo, no entanto, está ultrapassado há muito tempo, embora o cinema e a televisão ainda sigam alimentando um pouco dessa ideia.

A existência dessa imagem é explicada, em boa parte, pela origem da profissão — durante muito tempo, a enfermagem foi exercida por prostitutas —, o que ajudou a retardar a conquista de respeito e reconhecimento profissionais. Até hoje, essa história alimenta o imaginário popular, devido à intimidade que algumas das tarefas de um enfermeiro impõem, como o banho, a troca de fraldas e outros procedimentos.

Hoje em dia, porém, comprometer a imagem de um enfermeiro pode resultar em processos judiciais pelo país.

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4. É uma alma caridosa que se dedica a servir ao próximo

Por muito anos, antes ainda do surgimento da profissão, o papel do enfermeiro foi confundido com o espírito maternal de cuidado e zelo com os outros. Isso era oriundo especialmente do trabalho realizado pelas freiras e por mulheres que entregavam sua vida à religião e à filantropia.

Com o passar dos anos e com o reconhecimento da profissão, as tarefas de cuidado e dedicação para com o paciente continuaram como atividades primordiais do enfermeiro. Porém, deixaram de ser praticadas como caridade, passando a ser relacionadas a uma atuação profissional que exige conhecimento teórico e técnico.

Atualmente, para exercer a enfermagem é exigido curso superior na área.

5. A profissão não oferece boa remuneração

A disseminação da crença de que os enfermeiros são subalternos dos médicos, ou seus meros assistentes, costuma levar o senso comum a imaginar que os salários dessa profissão também são proporcionalmente menores. Porém, isso não é verdade.

Há pesquisas que comprovam que, no Brasil, a classe teve um aumento salarial considerável nos últimos 10 anos, superior, inclusive, à inflação nacional.

Os altos cargos, por exemplo, ou até as atividades de mais responsabilidade, podem oferecer salários atrativos que ultrapassam muitas das outras carreiras da área da saúde no país.

6. Os enfermeiros trabalham apenas em hospitais

Mesmo que seja a atividade mais comum (a maioria dos vestibulandos já ingressam no curso universitário planejando uma carreira dentro de uma instituição hospitalar), o enfermeiro não está limitado aos hospitais na hora de procurar emprego. Se você não tem interesse em trabalhar nesse tipo de ambiente, mas gosta de cuidar do paciente, saiba que existe uma variedade enorme de postos de trabalho ao dispor e à escolha do profissional formado em enfermagem.

A profissão está ramificada, hoje, em cerca de 100 especialidades diferentes, e cada uma, dependendo do perfil que oferece, permite que a atividade seja exercida em outros locais diferentes do hospital — em escolas, universidades, empresas privadas, academias de ginástica, tribunais e eventos esportivos, por exemplo.

Formado para trabalhar com a promoção, a prevenção e a recuperação da saúde das pessoas, o enfermeiro é aquele profissional que se mantém ao lado do paciente, ajudando a evitar a morte ou a acelerar o processo de cura. Os mitos da enfermagem, portanto, não passam de estereótipos que, algum dia, fizeram parte da realidade da profissão, mas que não se sustentam mais atualmente.

Como vimos, o enfermeiro, hoje, é peça fundamental em qualquer equipe médica e se tornou indispensável ao longo do processo de cura do paciente, independentemente de gênero, cor, origem ou salário.

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Enfermagem

Luciana Ferreira de Souza

Luciana Ferreira de Souza

Graduada em Enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba (1999). Especialista em Saúde da Família pela Universidade de Pernambuco – UPE. Mestre em Terapia Intensiva pelo Instituto Brasileiro de Terapia Intensiva / UNIBRATI, São Paulo-SP. Mestre em Modelos de Decisão e Saúde pela UFPB. Atualmente, enfermeira do Núcleo de Ensino e Pesquisa do complexo Pediátrico Arlinda Marques (João Pessoa-PB), Enfermeira do Centro de Referência em Esclerose Múltipla do Estado da Paraíba e membro do Grupo de Estudo e Pesquisa em Administração e Informática em Enfermagem (GEPAIE) da UFPB, docente do curso de graduação em Medicina e Coordenadora do Curso de Enfermagem do Centro Universitário de João Pessoa – UNIPÊ.