Enfermagem

Conheça mais sobre a história da enfermagem

Mariana Brito
22-08-2018 8:01

Você já parou para pensar no surgimento da Enfermagem? Afinal, quem deu início ao que se transformou numa profissão imprescindível para o mundo? Em que país tudo começou? Qual foi o propósito inicial? Quando aconteceu? São ótimos questionamentos que a história da Enfermagem pode responder.

Mesmo que saibamos um pouco das suas origens, outro detalhe instigante é: como o conceito chegou às terras brasileiras? Quem foram as figuras marcantes que contribuíram para que a Enfermagem fosse plantada e, posteriormente, semeada?

Neste artigo, contaremos algumas passagens importantes da história da Enfermagem, as quais nos presenteiam com relatos emocionantes e heróicos, dignos de cinema! Agora, sem mais delongas e evitando soltar spoiler, comecemos a narrativa!

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A origem da Enfermagem como profissão

Os primeiros registros que contribuíram para a história da Enfermagem mostram que a profissão surgiu a partir do desenvolvimento empírico das práticas de saúde. Para termos ideia da complexidade da questão, as doenças, em si, eram vistas e tratadas de maneiras distintas entre as civilizações.

No período pré-Cristão, por exemplo, as doenças eram tidas como provenientes de castigo divino ou manifestação diabólica. Os sacerdotes e feiticeiros ficavam encarregados de tratar os doentes à base de suplicações a divindades, sacrifícios, massagens e banhos — não, isso não é uma cena da série Vikings, embora pareça.

Tal cenário ocorria, similarmente, em algumas regiões entre o Oriente Médio e a África, tais como: Assíria, Babilônia e Egito. Nesses lugares, incluindo a Grécia, os sacerdotes (médicos) agiam intrinsecamente às mitologias. Os tratamentos consistiam em interpretação de sonhos, talismãs, banhos, dietas, entre outras práticas.

Alheio a isso estava o povo hindu que, embora religioso, adquiriu uma visão científica da questão, o que, certamente, contribuiu para o seu conhecimento sobre músculos, ligamentos, nervos e vasos linfáticos. Na Índia, inclusive, foram construídos hospitais, e a função de enfermeiro passou a ser exercida por pessoas que tinham conhecimento científico.

Contudo, os hindus presenciaram a decadência da medicina pelo então novo período religioso, o bramanismo, que encarava as doenças como um castigo e prezava pela conservação do corpo humano, a ponto de proibirem a dissecação de cadáveres — o que emperrava o desenvolvimento da medicina.

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A evolução e a decadência dos métodos empíricos

Com o progresso da filosofia e da ciência, ainda no século V a.C., a medicina começou a ser encarada cientificamente. As práticas místicas e sacerdotais ficaram para trás, e deram lugar a uma nova fase que durou até o início da Era Cristã.  

Na medicina grega, a partir das concepções de Hipócrates, estabeleceu-se o rompimento da medicina com as práticas religiosas. O uso de métodos de inspeção, indução e observação indicou o início da evolução das práticas de saúde.

Entretanto, a desvinculação com a religião gerou momentos de altos e baixos. A maior crise ocorreu nos períodos marcados pelos movimentos de Reforma Religiosa, os quais levaram a Enfermagem à desmoralização por parte da sociedade.

No mundo moderno, a consolidação da Enfermagem é analisada a partir do espaço entre os séculos XVI e XIX, iniciando pela Revolução Industrial até chegar à criação da Enfermagem Moderna, na Inglaterra. Com a sociedade capitalista em pleno desenvolvimento, a Enfermagem foi instituída como profissão.

A Enfermagem Moderna

Reverter os efeitos colaterais das crises pelas quais a medicina passou implicava uma série de desafios. O principal deles foi a reorganização dos hospitais, de maneira que o médico fosse a autoridade máxima quanto à saúde.

Para entendermos a amplitude do que significava instituir e reorganizar os hospitais, devemos considerar a epidemia de doenças graves e infectocontagiosas da época, visto que elas levaram à falta de pessoas capacitadas para tratar os pacientes.

O cenário só veio a mudar quando Florence Nightingale, mulher de múltiplos talentos (e muita perseverança), recebeu do Ministro da Guerra, da Inglaterra, o convite para trabalhar como enfermeira durante a Guerra da Crimeia — um enorme conflito ocorrido de 1853 a 1856, entre Inglaterra, França e Turquia versus Rússia.

O período de Florence Nightingale na história da Enfermagem

De acordo com a sua história, Florence Nightingale dotava de notável inteligência, o que é evidente devido à fluência em seis idiomas (inglês, italiano, francês, alemão, grego e latim), e tinha como sonho trabalhar como enfermeira.

A fim de realizar esse sonho, Florence adquiriu seus conhecimentos em Enfermagem, em Roma, observando o que as irmãs faziam nas Irmandades Católicas. Posteriormente, decidida sobre sua vocação, estudou nas diversas irmandades católicas espalhadas pela Europa.

Graças às suas qualidades como poliglota e inteligência, ela tinha proximidade com políticos e militares, a ponto de, consequentemente, conquistar influência entre os poderosos da época. Esse detalhe influenciou no convite para atuar junto aos soldados na Guerra da Crimeia.

Florence aceitou o desafio e levou consigo 38 voluntárias oriundas de vários países, todas unidas para amparar os soldados feridos. Tamanha foi a eficiência do trabalho das enfermeiras que a taxa de mortalidade foi reduzida de 40% para 2%, feito que levou-a a receber um generoso prêmio do governo britânico.

Com o prêmio recebido, Florence pôde fundar, em 1859, uma escola de Enfermagem, localizada no hospital Saint Thomas, em Londres. A partir dali novas escolas surgiram, seguindo o mesmo modelo disciplinar, o que culminou na disseminação da Enfermagem e, consequentemente, na formação de enfermeiras qualificadas.

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A Enfermagem no Brasil

A Enfermagem chegou ao nosso país pelos portugueses durante o período colonial, levando, inclusive, à construção de Casas de Misericórdia em vários territórios brasileiros. Exceto pelas ações individuais dos escravos, o desenvolvimento da Enfermagem no Brasil se deu por influência da Igreja e do militarismo, conforme veremos a seguir.

Padre José de Anchieta e Frei Fabiano Cristo

Embora não existam tantos nomes relevantes para a história da Enfermagem no país, vale a pena destacarmos duas autênticas figuras: Padre José de Anchieta e Frei Fabiano Cristo. Ambos prestaram serviços como enfermeiros — no caso do Frei Fabiano Cristo, foram cerca de 40 anos de atuação na área.

Anna Nery

Uma das pioneiras na Enfermagem no Brasil, Anna Nery sofreu com o isolamento de seus filhos, convocados para servir à pátria durante a Guerra do Paraguai (1864-1870). Então, ela encaminhou uma carta ao presidente da província, oferecendo-se para prestar serviço na guerra. A missão de cuidar dos soldados feridos, assim como fez Florence Nightingale, durou cinco anos.

Curiosidade: a primeira escola de Enfermagem do Brasil recebeu o nome de Anna Nery. Uma significativa e simbólica homenagem pelos seus grandes feitos.

Concluindo, a história da Enfermagem nos fornece fatos valiosos acerca da humanidade. Traz, ainda, diversos casos em que perseverança, devoção, coragem e amor ao próximo não só foram necessários como fizeram prevalecer à consolidação da Enfermagem como profissão crucial para todos nós.

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